de volta ao Salgueiro, Quinho cuida da voz para enfrentar maratona na Sapucaí

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Com um canudinho na boca, Melquisedeque Marins Marques teve que controlar o seu vozeirão soltando notas musicais por uns cinco minutos, bem devagar. Logo depois, precisou aguentar a quentura do raio laser nas suas cordas vocais e ainda cantar um samba com uma máscara para assim poder ouvir a sua própria voz. Alguns desses exercícios fazem parte da rotina do intérprete da Acadêmicos do Salgueiro, mais conhecido como Quinho, que retorna à escola da Tijuca após quatro anos de afastamento.

Aos 61 anos, Quinho estará na Sapucaí neste carnaval. A felicidade de estar de volta à escola que o projetou não cabe no peito, mas o tempo de afastamento deixou sequelas na voz. Para soltar o seu vozeirão na avenida, Quinho está se submetendo a um intenso tratamento com uma equipe multidisciplinar para cuidar da rouquidão e também da dicção.

Isabel Gomes com o aparelho no pescoço do intérprete do Salgueir Foto: Marcos Ramos / Agência O Globo

Pelo menos uma fez por semana, Quinho vai ao Dois V Estúdio, em Ramos, fazer os exercícios. A fonoaudióloga Isabel Monteiro Gomes, que comanda a equipe o projeto “Voz do Samba” tem cuidado da voz do intérprete da vermelho e branco da Tijuca.

— O nosso trabalho para que o cantor tenha resistência e faça menos esforço para cantar o samba. O Quinho tem uma rouquidão que é uma característica dele. O nosso trabalho é para que isso não atrapalhe — explica Isabel Gomes.

O disciplinado intérprete tem feito todos os exercícios. São sessões de tratamento com laser na faringe, nariz garganta, seios das faces e cordas vocais. A equipe que atende a Quinho e outros intérpretes de escolas de samba inclui ainda dentista, otorrinolaringologista, professor de Educação Fística, nutricionista e ainda a professora de música Valéria Correa.

— É como se estivéssemos cuidando de um atleta de alto rendimento. Afinal, os intérpretes enfrentam uma verdadeira maratona. A estimativa é de que Quinho repita pelo menos umas 40 vezes o samba do Salgueiro na avenida. A ideia é não deixar que ele atravesse o samba e também não perca a potência da voz durante o desfile — acrescentou a fonoaudióloga, que trabalha também com os intérpretes da Imperatriz Leopoldinense e também a Estácio de Sá.

União da Ilha é a escola do coração

A escola de coração de Quinho é a União da Ilha do Governador, escola do bairro onde ele nasceu e foi criado. O Salgueiro entrou profissionalmente. Foi a escola que o acolheu e o projetou. Foi na vermelho e branco da Tijuca que ele ganhou dois campeonatos: Em, 1993, como o enredo “Peguei um Ita no Norte”; e 2009, com o “Tambor”.

— Por opção minha deixei o Salgueiro há quatro anos por ser contrário à presidência. Agora, com a saída dela (a ex-presidente Regina Celi), resolvi voltar — disse Quinho, que estará defendendo samba da escola, que levará o enredo sobre “Xangô”.

Quinho e a felicidade por estar de volta ao Salgueiro
Quinho e a felicidade por estar de volta ao Salgueiro Foto: Marcos Ramos / Agência O Globo

Quinho cantará ao lado de Emerson Dias e Xande de Pilares, além de uma equipe de cinco cantores. Ao ser perguntado se é puxador de samba ou intérprete, ele brinca.

— Eu sou puxador mesmo, com a maior honra. Não se pode é chamar Neguinho da Beija-Flor ou Jamelão de puxador. Um cara que cantava Lupicínio Rodrigues não pode ser chamado de puxador — disse Quinho, lembrando que Jamelão, já falecido, intérprete da Mangueira não permitia ser chamado de puxador de samba.

Durante o desfile, Quinho costumava falar algumas “bossas” ou soltar bordões. Neste ano, nada disso. O regulamento não permite. No esquenta da bateria, localizado próximo ao setor 1, no entanto, tudo pode. O intérprete já adiantou o grito deste carnaval: “ Salgueiro, tô morrendo de achar bom”. E é claro, o grito: “Salgueirô, Salgueirô!!!!!





Fonte: https://extra.globo.com/noticias/rio/carnaval-2019-de-volta-ao-salgueiro-quinho-cuida-da-voz-para-enfrentar-maratona-na-sapucai-23431055.html