Estátuas e monumentos ‘ajudam’ moradores a contar os problemas vividos no dia a dia O Dia

0
33



Rio – Imponentes em seus cavalos de bronze ou reduzidas a cabeças e ombros, as estátuas da cidade são testemunhas até seculares do ambiente nas praças, largos e demais áreas públicas. Nem sempre identificadas, elas posam para os selfies dos turistas. Mas “só observam”. Se pudessem falar, o que diriam sobre a preservação do patrimônio da cidade?

Nascido na Ilha do Governador, Renato Russo ganhou monumento na Estrada do Galeão. Vez por outra, fãs se reúnem ali para cantar seus sucessos. Contestador, o artista certamente comporia notas tristes para a falta de conservação de sua praça. O Chafariz Marco da Ilha tem tijolos de vidro quebrados e o lixo se acumula ao redor.

O aposentado Alcinei Inácio, de 70 anos, dá voz ao lamento que o músico faria. “Além desse abandono, todo dia tem assalto. Policiamento não tem. Estou na rua desde cedo e não vi um carro de polícia”, reclama.

Cadê Noel Rosa? Sumiu…

Não muito distante da Ilha, o busto do marechal Mascarenhas de Moraes — ex-comandante da Força Expedicionária Brasileira (FEB) — está na Praça das Nações, em Bonsucesso, desde 1946. Mas ‘Mulher da Luz’ do chafariz que funcionava ali está desaparecida. O equipamento ainda está tomado por lixo e fezes de moradores de rua que vivem no local. O militar assiste, imóvel, aos assaltos rotineiros.

Alcinei, morador da Ilha, reclama da falta de policiamento no bairro – Cléber Mendes

“Não pode andar com o celular na mão, pois a toda hora tem assalto, a maioria de moto”, contam as amigas Caroline Alencar, 34; Lívia Andrade, 25; e Vanessa Titoneli, 27, que trabalham na região.

‘Mulher da Luz’ não foi a única vítima. Do monumento de Noel Rosa, em Vila Isabel, não sobrou nem o dedinho do pé. A câmera de segurança da vizinhança é testemunha dos constantes ataques de vândalos à escultura de bronze, instalada em 1996. Quem visita o bairro já não pode levar para casa a lembrança do compositor, cujas notas musicais nas calçadas de pedras portuguesas estão incompletas.

Do reduto da boemia a um dos mais tradicionais territórios do samba, na Mangueira, é um pulo. Lá, Cartola marca presença em frente ao Centro Cultural que leva seu nome. É um atrativo a mais para o público conhecer o museu dedicado ao ritmo. Mas cabe um lamento pela falta de segurança no entorno e um bocado de tristeza pela situação da população de rua que ocupa a Avenida Radial Oeste, a poucos metros dali.

Na Zona Sul, no Largo do Machado, a estátua de Nossa Senhora da Conceição diria que seu chafariz se tornou uma lixeira. Do alto de seu pedestal, ela vê aumentar a quantidade da população de rua. Mas nem tudo é problema. Feiras de artesanato e shows fazem da praça um ambiente de convivência.

“É sempre assim movimentado em qualquer horário do dia”, diz a artesã Andrea Honório, de 47 anos.

Na Praça XV, o monumento a Dom João VI diria que, apesar de ter pessoas dormindo sob seus pés, o local voltou a ser uma atração turística desde que o espaço foi revitalizado e virou palco constante de eventos culturais.

 *Sob supervisão de Clarissa Monteagudo





Fonte: https://odia.ig.com.br/rio-de-janeiro/2019/06/5653344-estatuas-e-monumentos–ajudam–moradores-a-contar-os-problemas-vividos-no-dia-a-dia.html