Fernandinho Guarabu, traficante há mais tempo foragido no Rio, é morto pela PM

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Traficante há mais tempo foragido no Rio, Fernando Gomes de Freitas, o Fernandinho Guarabu, foi morto durante uma operação da Polícia Militar no Morro do Dendê, na Ilha do Governador, na Zona Norte do Rio, na manhã desta quinta-feira. Outros cinco suspeitos também morreram. Contra Guarabu, existiam, até abril deste ano, 14 mandados de prisão expedidos pela Justiça.

Além de Guarabu, foi morto também seu braço direito: o ex-PM Antônio Eugênio de Souza Freitas, o Batoré. Os outros mortos na mesma ação são Gilberto Coelho de Oliveira, o Gil, e dois bandidos identificados como Piu e Logan. Todos estavam no mesmo carro, interceptado pelos agentes.

Em outro confronto, ocorrido na comunidade Guarabu — que junto com a Praia do Rosa também está sendo albo da operação — um homem ainda não identificado foi morto. Com ele, segundo a PM, foi apreendida uma pistola.

A PM planejou a operação no local após receber a denúncia de que bandidos se reuniriam na comunidade. A ação, que tem à frente a Corregedoria da Polícia Militar, foi batizada de “Repugnare criminis”. Foram apreendidos um fuzil, quatro pistolas, granadas, drogas, carregadores, radiotransmissores e também cadernos com anotações do tráfico.

O material apreendido pelos PMs
O material apreendido pelos PMs Foto: Polícia Militar / Divulgação

O traficante, além do Dendê, comandava o tráfico outras comunidades da Ilha há cerca de 15 anos — nenhum traficante ficou mais tempo no comando de comunidades cariocas. Ele nunca foi preso. De acordo com o coronel Mauro Fliess, a ação no Dendê continua. O policiamento no entorno da comunidade está reforçado.

— O entorno segue reforçado para evitar atos de vândalos — disse o oficial.

Participam da operação equipes dos batalhões de Operações Especiais (Bope), de Polícia de Choque (BpChq), de Ações com Cães (BAC) e do Grupamento aeromóvel (GAM).

Cartaz de ‘procurado’ de Fernandinho Guarabu
Cartaz de ‘procurado’ de Fernandinho Guarabu Foto: Reprodução

Até março de 2017, o Disque-Denúncia oferecia R$ 10 mil por informações sobre Guarabu. Em 2018, quando uma investigação realizada pelas polícias Civil e Militar mostrou que o criminoso pagou propinas a pelo menos 19 PMs para não ser preso, o valor da recompensa passou de R$ 10 mil para R$ 30 mil.
PMs são alvos de busca e apreensão

Além de traficantes, dois PMs são alvos de busca e apreensão nesta operação. Um Inquérito Policial Militar da Corregedoria da PM aponta a existência o envolvimento dos agentes com o tráfico do Dendê. Além disso, é investigado o pagamento de “royaltes” aos bandidos da comunidade por comerciantes que vendem gás.
Suspeita de envolvimento em morte de major

Fernandinho Guarabu é apontado como o mandante da morte do major Alan de Luna Freire. O oficial, que trabalhava no Serviço Reservado (P-2) do 17º BPM (Ilha do Governador), foi morto com mais de 20 tiros quando saía de casa, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, em novembro do ano passado.

Batoré seria um dos três homens responsáveis por executar o oficial com tiros de fuzil. Desde a morte do major, o Dendê tem sido alvo de constantes operações da Polícia Militar.
Ligação com milícia

Investigações do Ministério Público do Rio e da Secretaria estadual de Polícia Civil indicam que Guarabu e Batoré estavam à frente de uma ação coordenada com milicianos para cobrar taxas de motoristas de vans e kombis na Ilha do Governador.

De acordo com dados de Inteligência da Polícia Civil cada motorista de kombi e van (legal ou ilegal) que circula no bairro precisa pagar uma taxa que varia de R$ 300 a R$ 350 por mês. Estimativas de faturamento, segundo investigações de policiais civis, são de que o bando arrecadaria cerca de R$ 700 mil por mês.

Fonte: https://extra.globo.com/casos-de-policia/fernandinho-guarabu-traficante-ha-mais-tempo-foragido-no-rio-morto-pela-pm-23767129.html