Jornal Nacional – Ladrões que mataram jovem são suspeitos de roubos na mesma noite

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Na sucessão sem fim de crimes covardes que tem assolado o Rio de Janeiro, houve um, nesta semana, especialmente revoltante. O assassinato de uma adolescente que não esboçou nenhuma reação, quando foi assaltada.

Não existe abraço, não existe consolo para a dor infinita.

“Arrasada, faltando um pedaço porque é um pedaço da gente que os outro levam”, diz Cristiane Barbosa Macedo, mãe de Soraia.

A família de cinco filhos ficou incompleta na noite de terça-feira (15). A violência roubou de Cristiane a terceira filha: Soraia, 17 anos.

“Muito brincalhona. Inclusive passamos o Dia das Mães com a minha mãe, a família inteira”, relembra. 

Ela já contava os meses para completar 18. Em agosto. Estaria mais perto do sonho de entrar para a Aeronáutica e dar uma vida melhor para a mãe, que é manicure.

“Queria ser militar, queria crescer, queria me tirar da comunidade”.

A morte violenta, sem motivo, trouxe uma mistura de tristeza e revolta. Lágrimas e gritos. Despedida e protesto.

Soraia estava indo para a escola. Ela costumava pegar carona com um amigo de moto, ou ir de ônibus. Mas naquele dia decidiu ir a pé. Fez um caminho diferente, pela rua onde tudo aconteceu. O assalto poderia ter terminado com a perda de um aparelho celular, mas teve um fim trágico. O que aumenta a indignação nessa história é que Soraia perdeu a vida mesmo sem ter reagido.

Ela e a namorada foram abordadas por dois homens numa moto, na Ilha do Governador, Zona Norte do Rio.

Pediram o celular. Não quiseram o de Soraia, aparentemente por causa do modelo.

“Não teve reação nenhuma. Foi uma crueldade, não pelo simples fato de levar o meu telefone, que não levaram o dela, mas tiraram uma vida de uma jovem”, conta a namorada.

A namorada disse, no depoimento, que Soraia pode ter reconhecido um dos assaltantes, o que teria levado o rapaz a atirar.

A polícia diz que os dois homens são os principais suspeitos de outros três roubos na mesma noite, antes de matarem a estudante.

Cristiane ainda não conseguiu voltar para a casa, que não tem mais a alegria da filha. E como dói saber que a família nunca mais vai estar completa.

“Nada que venha a acontecer vai tirar isso de mim. Essa dor é irreversível”, diz Cristiane.





Fonte: http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2018/05/ladroes-que-mataram-jovem-sao-suspeitos-de-roubos-na-mesma-noite.html

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