Operação contra milícia em Rio das Pedras e nas ilhas Gigoia e Primeira tem 43 presos

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RIO – Uma operação do Comando de Polícia Ambiental (Cepam) da Polícia Militar com início na manhã desta quarta-feira contra a milícia que atua na região de Rio das Pedras e nas ilhas da Gigoia e Primeira, na Zona Oeste do Rio, prendeu até a parte da tarde 43 pessoas. O foco são construções irregulares e outras atividades de milicianos na região, como a venda de botijões de gás em depósitos, cuja compra é obrigatória por comerciantes daquela área.

Oito presos foram flagrados num condomínio irregular localizado na Rua Aldrin, nas proximidades do número 1.920 da Estrada de Jacarepaguá. Lá, foram encontradas seis  construções em andamento e duas mansões prontas. Na porta de acesso a área, há um protocolo de atendimento com autorização de fornecimento de água expedido pela Cedae.

Já no número 5.104 da estrada, polciais encontraram um depósito clandestino de botijões de gás. No local, havia a exploração de poços artesianos sem licença, oito pássaros em gaiolas e  ainda um prédio de três andares construído irregularmente. No local, foram apreendidos 372 equipamentos que eram comercializados por R$ 85 cada, além de  dezenas de galões de água vendidos de maneira ilegal.

Em um bar na mesma via, na esquina com a Rua Pereira, dez máquinas caça-níqueis foram apreendidas. O dono do estabelecimento foi levado para a delegacia sob a acusação de exploração de jogo ilegal.

Durante a operação, policiais militares também interditaram uma fábrica de gelo clandestina. Além da falta de licença, a fábrica utilizava amônia no processo de congelamento de água sem as devidas autorizações. A Gelo’s Portal da Barra fica a cerca de 50 metros da antiga casa de shows Castelo das Pedras. No prédio onde funciona a fábrica há residências onde moram várias famílias. A presença de um cilindro de amônia colocava em risco a vizinhança, já que, em caso de vazamento, o gás pode causar danos num raio de aproximadamente 250 metros. A empresa foi fechada e a proprietária, Rosângela Campelo, levada para a 16ª DP (Barra da Tijuca). Ela se defendeu dizendo que sempre trabalhou honestamente.

– Sempre trabalhamos com honestidade nos 19 anos de empresa. Nosso contador sempre nos orientou a agir de forma legal. Mas nós não sabíamos da necessidade de se ter licença ambiental para trabalhar com gelo. Nem a necessidade de ter licença para o uso de amônia. Porque não trabalhamos com gelo filtrado. Temos cinco funcionários legalizados, com carteira assinada. Não temos nenhuma ligação com milícia alguma – disse Rosângela Campelo.

Em frente à antiga casa de shows, a PM se deparou com um ponto de jogo de bicho. Foram apreendidos talonários e dinheiro, e dois homens acabaram detidos.

– Isso é um afronta. A Polícia Militar agindo na região e essas pessoas atuando no jogo de bicho livremente – comentou um policial.

Segundo o comandante do Cepam, coronel Jorge Fernando de Oliveira Pimenta, 40 policiais militares da unidade em 12 veículos, além de duas embarcações e duas motos aquáticas, participam da megaoperação. O comandante orinetou os policiais a dar voz de prisão a qualquer autoridade pública que interferisse na atuação dos PMs em áreas exploradas por milicianos. As equipes foram divididas em 12 pontos de Rio das Pedras. As embarcações foram usadas para chegar às Ilhas da Gigoia e Primeira.

Policial em construção irregular em Rio das Pedras Foto: Pablo Jacob / Agência O Globo

De Março até outubro foram presos 1.441 pessoas, entre elas um vereador de Magé e o secretário de obras daquele município da Baixada Fluminense. E foram apreendidas 174 armas de fogo em poder de milicianos, como pistolas, espingardas calibre 12, revólveres e várias granadas. Também foram apreendidos 2.889 botijões de gás da milícia, 150 toneladas de maconha cada uma com aproximadamente 1 kg.

– A ação mais significativa foi a prisão que aconteceu na Baía de Guanabara, na Vila dos Pescadores, Ilha do Governador. Uma operação de nossa inteligência identificou o tráfico de 50 kg de pasta base de cocaína, na proporção de 10 para 1. A droga foi encontrada com dois homens num barco que estava fundeado próximo à Vila dos Pescadores. A droga estava para ser levada para um navio fundeado na Baía de Guanabara e que seguiria para a Espanha. Calculamos que a estimativa de lucro desses criminosos seria de R$ 1 milhão com produtos que seriam agregados à droga transformando-a em 500 Kg de cocaína. Descobrimos que a droga veio do Morro do Dendê e os dois presos também. Isso foi no dia 3 de setembro deste ano – contou o comandante do CPAM, coronel Pimenta.





Fonte: https://oglobo.globo.com/rio/operacao-contra-milicia-em-rio-das-pedras-nas-ilhas-gigoia-primeira-tem-43-presos-23201342