Engarrafamento na Linha Vermelha cria ‘praça de alimentação’ com ambulantes uniformizados

0
18



Em meio ao desemprego que atinge o Rio, ambulantes resolveram aproveitar os engarrafamentos matinais da Linha Vermelha, na altura do Complexo da Maré, Zona Norte, para vender pães de queijo, café e empadas. Só com os pães de queijo, os cinco vendedores faturam até R$ 2,5 mil por dia. Além da variedade de produtos, os comerciantes resolveram ir além para atrair clientes: investiram em uniformes que trazem cores vibrantes e a logomarca. Durante quatro horas, eles ficam posicionados em meio aos carros que cruzam a via carregando isopores para manter todos os alimentos quentinhos e frescos.

— Estamos sempre com o uniforme, para chamar a atenção e passar mais segurança para os clientes. Quem dorme sonha, quem trabalha conquista, esse é meu lema. Acho que a roupa passa mais credibilidade — conta Thiago da Silva, de 26 anos, que entrega os pães de queijo em saquinhos de papel padronizados com o telefone de contato para reclamações e opiniões: — Muitos vendem um produto ruim, o meu tem qualidade.

O jovem conta que vende pães de queijo há dois anos, mas o uniforme surgiu no início do ano passado. Hoje, são quase 2,5 mil quitutes vendidos a R$ 0,99, cada. Os produtos são feitos por ele, em casa e com receita própria, e assados pela mulher. Sempre que uma nova fornada fica pronta, ele vai de moto até em casa e repõe o estoque de venda.

Saquinhos e uniforme padronizados: mais segurança para clientes, segundo ambulantes
Saquinhos e uniforme padronizados: mais segurança para clientes, segundo ambulantes Foto: Gabriel de Paiva / Agência O Globo

— Quero colocar um trailer mais perto para facilitar a venda. Trabalho com três amigos e com meu pai. Lá em casa, além da minha mulher, eu tenho uma funcionária ajudando na produção. Tem motoristas que param e compram 10, 15, 20 pães de uma só vez.

Percebendo o sucesso dos companheiros de venda, a ambulante Valéria Aguiar, de 46 anos, decidiu também se uniformizar após seis anos na Linha Vermelha. Há três meses, ela mandou confeccionar duas camisas pretas com a frase “cafezinho da mamãe”, como é mais conhecida no local de trabalho. Cada copinho da bebida sai a R$ 1. Ao fim de um dia, ela ganha, em média, R$ 40. A ideia do uniforme veio a partir da necessidade.

— Sabemos que, infelizmente, há assaltantes agindo como camelôs aqui na via. Muitas pessoas estavam parando de comprar alimentos. Eu acho que um uniforme bem feito e bonito é importante para trazer segurança para quem toma café da manhã conosco.

Valéria vende cafezinhos a R$ 1 na Linha Vermelha
Valéria vende cafezinhos a R$ 1 na Linha Vermelha Foto: Gabriel de Paiva / Agência O Globo

No mesmo trecho da via, os amigos Lucas, Luigi, Lucas e Max decidiram apostar nas empadas para faturar alto. De frango e camarão, eles circulam pela Linha Vermelha carregando isopores e plaquinhas que informam o preço do alimento: R$ 1. Segundo os amigos, a ideia do uniforme foi da mãe de um deles, que mandou produzir as camisas:

— A minha mãe cozinha super bem, faz todas as empadinhas. Além do uniforme, queremos estampar os nossos nomes na parte de trás da camisa, para ficarmos ainda mais próximos dos clientes, que vão poder nos chamar pelo nome — explica Luigi Silva.

Para os motoristas, os lanches são muito bem-vindos durante os engarrafamentos:

— Nós acabamos perdendo a hora de vez em quando e o café da manhã acaba sendo feito dentro do carro. O café é sempre quentinho, os pães de queijo também. Compro e ainda levo para o lanche da tarde — afirma, aos risos, a advogada Luciane Pereira, de 32 anos, moradora da Ilha do Governador, que destaca a importância do uniforme: — Eu me sinto mais segura, sim. Consigo identificá-los e os reconheço a cada vez que passo.

Após sucesso do pão de queijo, vendedores uniformizados investem em empadas
Após sucesso do pão de queijo, vendedores uniformizados investem em empadas Foto: Gabriel de Paiva / Agência O Globo

Whatsapp





Fonte: https://extra.globo.com/noticias/rio/engarrafamento-na-linha-vermelha-cria-praca-de-alimentacao-com-ambulantes-uniformizados-23794298.html